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29/09/2017 às 16h18

Com 11 anos e paralisia cerebral, alagoano evolui e conquista independência através do esporte

Sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só. Mas sonho que se sonha junto é realidade, já diria Raúl Seixas. Sonhar é uma das coisas que portadores de deficiências físicas ou mentais, mas fazem. Independente das limitações, eles imaginam dias melhores, imaginam um futuro possível. Durante a segunda edição dos Jogos Paralímpicos de Alagoas, era possível notar nos olhos, no semblante de cada um desses atletas, que eles sonhavam acordados. Aqueles que não tem qualquer tipo de deficiências e viram as competições, imaginando os jovens e adultos competindo, como pessoas frágeis, podem e devem mudar de opinião.

A força de vontade demonstrada por eles é bem maior do que imaginamos e até maior do que podemos. Um dos maiores exemplos é o pequeno Rerold Leandro, de apenas 11 anos. Durante a gestação, a mãe do atleta sofreu algumas complicações e deu a luz com 29 semanas. Com isso, o bebê passou semanas entubado, o que ocasionou uma paralisia cerebral. Uma história que parecia ser triste ganhou um capítulo feliz. Em junho de 2016, Rerold conheceu o atletismo através da Associação Pestalozzi de Maceió. A partir daí, mesmo com as suas limitações, vive dias de uma criança normal, frequentando a escola, convivendo com amigos e familiares e no quesito esporte, frequenta academia e realiza seus treinamentos frequentemente e comemora.

“O esporte me ajudou na minha independência e me trouxe esperança de um futuro de coragem. Acredito que sou capaz de várias conquistas”, disse o pequeno. No esporte, Rerold conheceu dois anjos da guarda. A primeira, que acompanhou ele desde o início, a profissional de educação física, Camila Campos. Ela avalia a evolução do pequeno atleta após entrar no esporte.

“Antes ele tinha dificuldade de coordenação. Precisava de ajuda para entrar e sair do carro, segurar e arremessar a bola. Hoje em dia, diante do trabalho conjunto que fazemos, ele conseguiu progredir e se tornar de certa forma independente. As situações que ele sentia dificuldades, apresentaram grande evolução. E a gente não pode pensar nessa evolução no esporte, mas no seu dia a dia, em casa, na escola, em qualquer lugar. É muito gratificante”, afirmou.

Se Camila Campos cuida da parte física desde o começo na prática de atividades físicas, Josias Lino, que é praticante de atletismo, é o treinador na modalidade de arremesso de peso. O profissional e professor, também avalia os avanços de Rerold.

“Para mim é um grande privilégio trabalhar na área do desporto Paralímpico. Me vejo sendo um incentivador e sendo incentivando por ele. É muito gratificante ouvir ele dizer que não acreditava fazer algo, e no momento seguinte provar pra o mesmo, que ele sempre poderá fazer mais. E que tudo é apenas uma questão de adaptação ao que lhe é imposto hoje como um desafio. Amanhã ficará sendo apenas mais uma etapa da busca pela evolução dele. Seja nos treinos ou no dia a dia”, explicou. Com apenas 11 anos, Rerold Leandro está apenas iniciando a sua caminhada no esporte e pensa em vôos mais altos, com a ajuda dos treinadores. “A Camila foi quem me apresentou o esporte e me incentivou a seguir treinando, me mostrando que posso ter um futuro melhor. O Josias também tem me mostrado no dia a dia, que posso fazer muito mais. Que venham competições ainda maiores”, destacou.

Após a disputa dos Jogos Paralímpicos, Rerold Leandro já pensa na disputa dos Jogos Estudantis Paralímpicos e quem sabe, competições de nível nacional e internacional.

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